Archive for the ‘Artigos de Opinião’ Category

Miss Cono Mouco 2008

16/12/2008

miss-mundo2A Miss Mundo deste ano foi escolhida no sábado passado em Joanesburgo e é Russa. Muito bem, cá está um espectáculo pelo qual todo o Portugal e restante mundo anseiam vigorosamente…Ou não! Mas afinal como começou toda esta fantochada? Com que intuito? Espalhar a paz pelo mundo? Afinal é isso que todas elas dizem no final. Já imaginaram uma boazona destas num país pobre e em guerra a espalhar a paz? Era um belo cenário e de certo que aqueles pobres coitados matavam a fome, mas era só com os olhinhos, mais nada! Por falar em olhinhos, não sei se é impressão minha ou a foto correu um bocado mal, mas a miss, a dita a mais bela do mundo, tem um olho muito esquisito, o olho esquerdo. Parem de ler e reparem na foto, olhem bem, o que acham? Certo, ninguém é perfeito e também dirão: “com um corpo daqueles e tal para quê reparar nos olhos”? É bem verdade. Para quê? Não estou a dizer que a senhora é burra ou coisa que se pareça, não, nem a conheço, é o estereótipo!

Mas voltando à minha questão inicial… Criaram este título para quê? Para a elogiarem, a distinguirem das outras feiosas e gordas e pobres? Se calhar…É um belo gesto! Ocorreu-me que se poderiam criar mais entretenimentos semelhantes a este. E haveriam, sem dúvida, nomes mais interessantes para lhes atribuir. Lembrei-me que poderiam inventar ou atribuir títulos a pessoas mais normais, comuns, pessoas tipo a minha vizinha, a Antónia.

 A Antónia, mais conhecida por “toninha barijolas”( barijolas, não perguntem porque não sei de onde isso veio, talvez para uma próxima eu me explane aqui sobre uma possível explicação para essa alcunha) é surda como uma porta ( cá está outro termo que uso muito e que também não sei de onde surgiu!), só ouve quando falamos perto dela e aos berros e ela ainda faz um esforço em ler os nossos lábios para perceber. Na minha pacata e ao mesmo tempo fogosa terrinha, há nomes que me ultrapassam completamente e me intrigam também com igual intensidade. De onde vêm e quem os inventa?

Essa minha vizinha, vinha eu uma altura pela rua quando me deparo com ela e ao fim de uma troca de palavras:”boa tarde toninha”, eis que ouço a irmã da dita cuja a gritar por ela e ela nada. “Oh toninha, Oh toninha, gritava a Mariazinha, a irmã, e a toninha, nem sinal de vida. Eis que ao fim de muito cuspe atirado por aquela janela aos berros, a irmã diz:” é mesmo um cono mouco”!

E cá está, cono mouco.

Cono mouco, mouco sei e saberão certamente o significado da palavra, agora cono, não tenho tanta certeza… Lembrar-se-ão que poderá ser o masculino de um palavrão muito feio que também começa por C, mas se pensarem bem, não faz qualquer sentido ou faz? Pensem, se a toninha em vez de surda fosse muda, ah, aí sim o cono mouco aplicava-se. Não? Pensem comigo… O tal palavrão outra vez que começa de igual modo é associado ao órgão sexual feminino, a vagina, certo? Que quê? Que tem lábios, certo? Mas, e cá está, não fala! Ora se a toninha fosse muda, aí sim, o cono mouco aplicar-se-ia. Tenho ou não razão? Portanto, não sei, não sei que associação elas fazem para chamarem isso às pessoas que não ouvem muito bem.

Esperem…. Ocorreu-me agora que poderá ter a haver com o facto de a toninha ser uma mulher. Sim! Muito provavelmente é isso. Se fosse toninho, um homem portanto, a irmão chamava-lhe “pilo mouco”. Estão a acompanhar-me no raciocínio?Exacto , é isso tudo! O toninho é homem, tem um pénis (“pila”) e daí o “pilo mouco”Só pode, não vejo outra explicação possível.

É uma fantástica associação, sim senhora!

Fica aqui então este meu pensamento, um pouco disparatado, mas também se assim não fosse, não seria meu certamente!

Vote for Toninha! Miss Cono Mouco 2008! (Era um belo slogan, isso era!)

Porque não fazermos este tipo de concursos? Acho que sim! Mas com Língua Gestual à mistura e muitas imagens e luzes, digo eu, seria melhor….

Despeço-me com amizade 🙂

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“As gajas boas são imunes ao frio…”

22/11/2008

jessica

 O Inverno está aí. Já se deram conta? Sim? Então pertencem à categoria, das duas uma, das gajas más ou das gajas mais ou menos, em discurso oral: “hã”… Passo a explicar, com uma breve definição do que é considerado hoje em dia uma gaja boa. Gaja boa: rapariga bem constituída, ou seja que use um trinta e oito de soutien e tenha um rabiosque à brasileira adulta ou não, que gosta de mostrar os seus atributos físicos, independentemente da estação do ano em que se encontra, usando roupas minúsculas e atractivas, provocando no sexo oposto um acto condicionado e consequente salivação. Depois de ler esta definição, de certeza que já se situou quanto à sua categoria, provocando em si uma grande euforia se se inclui na categorias das boas, e uma grande desilusão se se apercebeu que faz parte das “hã” e ainda uma enorme apatia se se inclui na categoria das más.
Baseei-me neste tema devido ao facto de todos os dias me confrontar com situações no meu ponto de vista, absurdas e até incompreensíveis. Ainda há dias me deparei com uma miúda, não deveria ter mais que quinze anos de idade, que esperava o mesmo autocarro que eu, trazendo vestido umas calças de ganga e uma camisola minúscula mostrando a barriga e parte do peito. Tendo como principal agasalho um daqueles casacos super-fashion que só tapam parte das costas e o peito à frente. Isso não seria nada de anormal se não estivessem cerca de 0 graus. Mas a jovem tentava disfarçar a tremura dos dentes com um soprar forte nas luvas que trazia. Esperem, afinal estou enganada, a jovem estava bastante agasalhada. Trazia luvas e por sinal, muito bonitas, perante isto peço desculpa pelo meu erro.
Mas o essencial é tentarmos perceber o porquê de tantas e tantas jovens se sacrificarem em prol de um corpo perfeito e vistoso. Será que vale a pena apanhar pneumonias, na esperança de receber uns bons piropos, incluindo dos trolhas, grandes especialistas na matéria?
A sociedade hoje em dia tem alguma culpa neste assunto. Cada vez mais a moda se foca em torno da beleza, do culto do corpo, desvalorizando o lado humano da pessoa. E cada vez mais se incute a ideia nos jovens, de que um corpo perfeito e atraente é meio caminho andado para uma vida de sucesso onde a sorte nos bate à porta…ou melhor, no corpo. Os valores familiares são trocados pelo aspecto socialmente aceitável e os de cidadania pelos do prazer. A solidariedade é pensada em moldes atractivos levando o comum mortal a oferecer um pouco de si para seu próprio prazer e não para favorecer o próximo nos aspectos desfavorecidos.
O sedutor de outros tempos é o repulsivo de qualquer dia”, esta frase faz-nos pensar se realmente valerá a pena escravizarmo-nos a um corpo que a nós não nos pertence e que um dia abandonaremos. Será que vale a pena vulgarizarmo-nos de tal forma, a ponto de qualquer dia não sabermos o que é ter valores e princípios?!

 

 

“Tu olhas, mas não vês”

22/11/2008

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Esta foto, tirada na cidade de Vila Real é um contra-senso nesta época Natalícia….Época Natalícia onde se demonstram (pelo menos tenta-se, há uns que demonstram mais do que outros pois têm mais dinheiro…) todos os nossos sentimentos bons pelo próximo e pela vida, mas esta imagem, bem como a própria casa em questão, passa completamente despercebida a quem lá passa, quer seja de carro ou mesmo a pé, a caminho do Centro Comercial, Dolce Vita para mais uma correria desenfreada às compras, perdão para mais uma correria desenfreada às demonstrações de carinho, de amizade, de humildade, de compaixão, entre outros. Hoje em dia é assim! Será que é só nesta época que se lembram uns dos outros?! E será que lembrarmo-nos dos outros é bombardeá-los com presentes tendo como o brinde Consumismo?!
Será que aqueles desalojados e mendigos gostariam de receber carinhos nossos assim? Ou será que gostariam que nós quando passássemos por eles, olhasse-mos ao menos para eles, para a realidade e lhes deitássemos a mão e do fundo do nosso coração os ajudássemos?!

” É o Homem do Saco “

21/11/2008

Páscoa 2007

Não, não se trata da música do Bonga, grande sucesso, o qual sempre me fez alguma confusão, confesso. Como é que uma pessoa consegue dançar ao som dessa música, se o Bonga nos diz que há um homem do saco e “ que ele vai-te pegar e que ele vai-te comer….”? Quer dizer, quem dança e se diverte com as desgraças, isso para mim mete-me um bocado de espécie. Sim, porque quem não me diz que o Bonga escreveu isto depois de ter sido assaltado em sua casa por, precisamente, um homem do saco, deixando-o sem nada? Quem? Provavelmente, o próprio Bonga, se estivesse com ele…. Mas a questão aqui é que, se a música fosse:” é o homem do saco e ele vai-te pegar, e ele vai ser eleito por ti, e ele vai-te comer, e ele se chama José Sócrates, se calhar já não dançávamos, nem nos divertíamos! Porque era a nós que o homem do saco roubava e porque…esperem lá, mas isso é o que se está a passar na realidade…! Mudando de assunto, neste caso em concreto falo de um outro homem do saco, um que anda de vermelho na Páscoa, bem visível portanto, e que as pessoas o convidam a entrar nas próprias casas e lhe dão dinheiro de livre vontade. Numa altura em que a crise já atingiu os três metros e sabendo que, em média, os portugueses não passam de 1,70 metros, isto não está nada bem, como é possível então? Tudo isto acontece em nome da fé, pode-se dizer.

A Páscoa é uma festa muito importante para os cristãos, celebra-se a morte e a ressurreição de Jesus Cristo. Todos os anos acontece a mesma coisa, nas aldeias e em cidades pequenas, as pessoas preparam-se para celebrar a Páscoa e receber o Senhor na Cruz em suas casas. Adaptando alguns dos costumes e tradições as pessoas começam por fazer algum jejum, sim algum, porque só não é permitido comer carne, na quarta-feira de cinzas e depois nas sextas-feiras de cada semana até à Páscoa. Ora, para quem for vegetariano, isso não será sacrifício nenhum e também para quem gostar do seu bifinho até veio a calhar bem porque, assim, variam a alimentação que há muito o médico lhe recomendava. Há quem nem isso faça e continue a receber o Senhor em sua casa, em nome da tradição, onde é que está a fé nisso, o sacrifício?

A Páscoa tornou-se mais uma tradição festiva que também ela envolve dinheiro, o materialismo, egoísmo, inveja, entre outros substantivos e adjectivos, ou mesmo mandamentos, que Deus abomina e “nos ordenou também reprovar”. Para começar, as pessoas limpam freneticamente as suas casas, quer interiormente, quer exteriormente, como se não houvesse amanhã e como se aquela casa nunca tivesse levado uma boa vassourada. Até as janelas exteriores lavam à mangueirada, não vá ficar algum pó que se lhes escape e depois parece mal, para quando vier o Senhor. Depois, é a questão de se estrear roupa nova, tomar um bom banho também, como se nunca o tivessem feito e, está claro, lavar o carro. Será que isto vale mesmo a pena? Será que ao limparmos tudo e mais alguma coisa, limpamos também a alma e estamos preparados para receber o Senhor na fé, em espírito? Depois há o frenesim em arranjar o alecrim, em comprar os folares, os ovos da Páscoa, o cabrito para o almoço, entre outras coisas, neste negócio todo que pode ser a fé. Eu mesma quando fui a Fátima, por exemplo, no meio de tanta fé, de tantos santinhos, de tantos terços e velinhas, eu mesmo me senti tentada a comprar alguma coisinha para ter como recordação, para me lembrar de Fátima. De Fátima e não da virgem Maria e de Jesus Cristo e de toda a história. Que seca isso não é?! Mas dá-nos conforto comprar essas coisas, porque é mais um descargo de consciência, mais um entre muitos. Quando temos um problema é àquele santinho que rezamos, mas quando temos uma alegria é a ele que raramente agradecemos. Estranho isto da fé, acho eu… Eu não tenho voto na matéria, até porque a minha avó me costuma chamar de “herege” só porque não vou todos os domingos à missa, ouvir a mesma ladainha que tive que ouvir durante os anos todos de catequese! Mas a meu ver, a fé não é nada disso, a fé é algo que está em nós e que sai de nós. Não serve para meter inveja a ninguém, não serve para se mostrar, não serve para nós nos redimirmos das coisas menos boas que façamos… E exemplos disso não me faltam. Pessoas virtuosas e muito simpáticas, que vão todos os domingos à missa, e mesmo um dia ou outro durante a semana, e chegam a casa depois de uma noitada e “limpam o pó” é à esposa (e não é só na Páscoa), e aos filhos se algum ousar intrometer-se. Enfim, inúmeros casos. Senhores que vão sempre tomar a hóstia e quando calha ajudar na missa o Sr. Padre e dizem, com a maior sinceridade:”Ámen”.

Outras coisas também seriam interessantes fazer referência aqui, como a vida de sacrifício e de retiro de padres e freiras. Coisas que me fazem igualmente espécie, como o facto de existirem freiras, que servindo a Deus e vivendo na fé, tenham dentes de ouro e um bom carro. Não sei, faz-me espécie! Mas o mundo é assim, cheio de “mete espécie”. E depois vem-me a minha avó chamar-me de herege só porque não vou à missa. Então eu por ser boa rapariga, não roubar, não matar, ser honesta, ser amiga, por tentar ser uma pessoa às direitas, é que sou a herege, e se for preciso, a vadia que vai todas as noites tomar café. Sinceramente, que mundo este. Pelo menos, tenho a minha consciência tranquila porque vou tomar café, mas não tenho por hábito tomá-lo com estranhos, nem aparecer grávida em casa, quando calha… Ok, eu sou a herege, já sei!

Tentando concluir aqui o meu ponto de vista, que já se prolongou bastante, o que mais me mete espécie, mas mais mesmo é o homem do saco, o homem que já referi inicialmente. Curiosamente, ele é o último a entrar em nossa casa e o último a sair. Gosto muito da expressão facial na cara deles. É do género celestial, isto quando são miúdos mais novos, como quem diz:” sou eu o rapaz do saco, eu queria a campainha, mas deram-me o saco…”. E nós lá damos alguns euros por descargo de consciência, ou para que, não nos chamem hereges, forretas, por não pagarmos a fé com dinheiro. E quando a nossa é a primeira casa a ser visitada pelo compasso? A nossa situação é muito mais complicada, porque se deitarmos ao saco alguns euros, moedas, ouve-se o som das mesmas e isso é mau. É mau porque, automaticamente os comentários surgem:” olha, este nem cinco euros tinha para deitar, ou “botar”, como diz a minha querida avó, que nem é votar, nem lançar, é “botar”, ou em brasileiro:”jogar”. Mas isto agora da Língua é para outra altura, se não teríamos aqui pano para mangas. Seria “ótimo” falar desse novo acordo ortográfico, acordo esse, que ninguém (entenda-se pelo povo, os pobres…) acordou! Portanto, voltando ao raciocínio, quando juntarem os trapinhos com alguém, ou sozinhos mesmos, escolham bem a casa, não em termos de preço, nem localização, nada disso, mas antes, em função da ordem de passagem do compasso na Páscoa. Deixo o conselho.

Nestes vinte e quatro anos de existência, já vi muito, mas ainda hei-de ver mais e ainda me há-de “meter muita mais espécie”. O Ser Humano é assim. Bem, e para o ano a Páscoa há-de voltar com toda a fé e o homem do saco também. Até lá.